O trocador consome menos do que a fama sugere porque transporta calor em vez de produzir calor. O Komeco KOBC 45 entrega 13,19 kW térmicos usando 1,88 kW elétricos, o que dá 451 kWh por mês em 8 horas diárias, cerca de R$ 374.
Olhar só para o número de horas ligadas induz ao erro. O que forma a conta é a potência elétrica efetivamente usada e a eficiência com que ela vira aquecimento da água.
Na ficha técnica da Komeco, consultada em 2 de outubro de 2026, o KOBC 025QC G1 trabalha entre 26.000 e 6.000 BTU/h, com potência elétrica de 1,10 a 0,13 kW e COP de 6,93 a 13,52. O KOBC 075QC G1 vai de 72.000 a 16.000 BTU/h, usa de 3,03 a 0,36 kW e apresenta COP de 6,96 a 13,02.
Toda essa linha utiliza fluido R32, trocador em titânio e alimentação monofásica de 220V. Esses dados separam duas grandezas que costumam aparecer misturadas: consumo elétrico e capacidade de aquecimento.
O que é COP e por que ele decide a conta
COP é a relação entre o calor entregue à piscina e a eletricidade consumida pelo equipamento. Quanto maior o COP, mais energia térmica o trocador fornece para cada unidade de eletricidade.
No KOBC 045QC G1, o COP informado é 7,01. Nas condições da ficha técnica, o equipamento entrega cerca de 7,01 unidades de calor para cada unidade de energia elétrica consumida.
Essa relação explica por que comparar trocador e resistência pela potência térmica produz resultados tão distantes. A resistência converte eletricidade em calor, enquanto o trocador aproveita o calor disponível no ar e o transfere para a água.
Também é por isso que circulam números contraditórios sobre economia. Aparecem afirmações de até 40 por cento e outras de até 80 por cento, mas o COP declarado permite fazer a conta para cada equipamento, em vez de escolher um percentual.
Com COP 7,01, a economia em relação ao aquecimento resistivo equivalente é de 1 menos 1 dividido por 7,01, ou seja, cerca de 85,7 por cento. O número sai da ficha técnica, não de uma média de mercado.
A conta em kWh, passo a passo
O primeiro número é a potência elétrica. No KOBC 045QC G1, ela chega a 1,88 kW.
Funcionando 8 horas por dia nessa potência, são 1,88 kW multiplicados por 8 horas, ou 15,04 kWh por dia. Em 30 dias, 451 kWh.
Aplicando a tarifa residencial média nacional de R$ 0,8280 por kWh, o gasto fica em torno de R$ 374 no mês. A fórmula serve para qualquer rotina: potência vezes horas, depois consumo vezes tarifa.
Cada hora a menos de funcionamento na potência de 1,88 kW representa 1,88 kWh que deixam de ser consumidos, cerca de R$ 1,56. É esse número que transforma hábito em economia.
Duas piscinas com o mesmo equipamento podem ter contas diferentes. Quem perde calor mais rápido precisa de mais horas para manter a mesma temperatura.
Em outubro de 2026, a linha Komeco inverter vendida pela Ril Comercial tinha controle por aplicativo. No KOBC 45, a modulação vai de 1,88 kW a 0,22 kW, o que faz o consumo acompanhar a demanda em vez de ficar na potência máxima durante toda a operação.
Trocador contra resistência elétrica: a diferença real
A comparação só funciona com a mesma quantidade de calor entregue. O KOBC 45 fornece 13,19 kW térmicos usando 1,88 kW elétricos.
Uma resistência precisaria consumir 13,19 kW para entregar os mesmos 13,19 kW térmicos. A diferença aparece imediatamente na potência retirada da rede.
Em 8 horas, essa resistência consumiria 105,5 kWh por dia, ou 3.166 kWh em 30 dias. Com a tarifa de R$ 0,8280 por kWh, o valor mensal chegaria a cerca de R$ 2.621, contra cerca de R$ 374 do trocador.
A distância é de 85,7 por cento, e corresponde exatamente ao COP 7,01. Não é um percentual escolhido para representar o mercado.
Isso não significa que toda piscina com trocador terá conta de R$ 374. O valor corresponde a 8 horas diárias, 30 dias, 1,88 kW e tarifa de R$ 0,8280 por kWh.
O que dispara o consumo
O primeiro aquecimento é o momento mais caro. O equipamento precisa levar toda a massa de água até a temperatura desejada, e só depois passa a repor o calor perdido.
O inverno aumenta a necessidade. Quanto maior a diferença entre a água e o ar, mais trabalho para manter a piscina aquecida.
Piscina descoberta perde calor continuamente pela superfície. A evaporação retira energia da água e obriga o sistema a repor.
O vento intensifica esse processo porque renova o ar sobre a lâmina. Uma piscina exposta funciona mais horas que outra protegida com o mesmo volume.
A temperatura alvo escolhida pelo usuário muda a conta. Quanto mais alta em relação ao ambiente, maior o calor a adicionar e a preservar.
Equipamento subdimensionado fica ligado por períodos longos tentando alcançar uma condição que um modelo adequado atingiria antes. Avaliar só a potência nominal não explica o custo de uso.
Quanto a capa térmica tira da conta
A superfície é o principal ponto de perda de calor da piscina, sobretudo por evaporação. A capa térmica atua exatamente nessa área e conserva parte da energia já transferida para a água.
O efeito financeiro aparece na redução das horas de funcionamento. Não é preciso adotar uma porcentagem fixa de economia para medir isso.
Cada hora evitada no KOBC 45, a 1,88 kW, vale cerca de R$ 1,56 pela tarifa usada aqui. Se a capa tira duas horas por dia, a conta cai cerca de R$ 94 no mês.
O ganho depende das condições de cada piscina. Frequência de uso, vento, temperatura ambiente e tempo com a água descoberta mudam a perda de calor.
A forma mais honesta de medir é acompanhar quantas horas o equipamento funciona antes e depois da capa, nas mesmas condições de uso. A diferença de horas multiplicada pelo consumo horário e pela tarifa dá o valor real.
O trocador não deve ser julgado pelo tempo que fica ligado. O dado central é quanta eletricidade ele consome para entregar determinada quantidade de calor, e com COP 7,01 essa relação fica explícita: 451 kWh e cerca de R$ 374 no mês, contra 3.166 kWh e cerca de R$ 2.621 de uma resistência equivalente.



